Os desafios para recuperarmos as competências que os sistemas educativos deveriam estar a ser capazes de desenvolver apelam ao questionamento não só do modo como transformar a escola formando para que possa enfrentar economias baseadas no conhecimento, contribuindo para a formação ao longo da vida, mas ainda para entender como desenvolver outros contextos educativos que, à semelhança do que se passa nos outros países da OCDE, possam contribuir para a aquisição e desenvolvimento de aprendizagens.
O documento da Comissão das Comunidade Europeias – Memorando sobre Aprendizagens ao Longo da Vida – refere a importância das aprendizagens não-formais e informais e como devem ser consideradas essenciais para “aumentar a oferta e a procura de oportunidades de aprendizagem”.
Entendendo lazer na perspectiva dos 3 D’s – Descanso, Divertimento e Desenvolvimento (Dumazedier) – propomo-nos elucidar o modo como proceder para aproveitar as potencialidades do terceiro D – Desenvolvimento – para diversificar o conhecimento e a aprendizagem de crianças, jovens e adultos no contexto da sociedade do conhecimento.
A sociedade do conhecimento, em Portugal, poderá ganhar pelo reconhecimento, desenvolvimento e apoio a outros contextos de aprendizagem de modo a enriquecer os espaços de formação (Furter, 1983) existentes.
A criação de cidades educativas (por exemplo, Barcelona), pode ser apresentada como um tipo de situação com que a sociedade do conhecimento se enriquece.
Outro contexto rico de trocas de conhecimento remete para o desenvolvimento das economias das zonas rurais (a que chamamos de Desenvolvimento Local) como território de desenvolvimento de produtos endógenos e de turismo, em que a troca de saberes pode ser aproveitada com o enriquecimento mútuo de conhecimentos.
Assim, nos contactos realizados com os Centros de Actividades de Tempos Livres, com as escolas do Ensino Básico e Secundário e respectivas comunidades, com as IPSS’s com actividades de apoio à população sénior, com Associações de Desenvolvimento Local e Autarquias da Região, tem-se verificado, na gestão destas actividades de lazer, a existência de numerosos técnicos sem formação específica no domínio da Animação Socioeducativa.
Embora muitos destes Centros desenvolvam actividades de grande interesse para os seus destinatários, entendemos que a sua riqueza educativa poderia ser acrescida, numa perspectiva de educação ao longo da vida, se os responsáveis adquirissem competências neste domínio, em dinâmicas de educação não-formal considerando que se enquadram nos tempos de lazer dos vários grupos de população, tendo em conta as suas três componentes.
Assim, este Mestrado tem como finalidade adequar a formação dos técnicos que coordenam e gerem Actividades de Tempos Livres às necessidades que hoje se fazem sentir na orientação e formação de monitores, animadores, professores e outros técnicos que trabalham com as crianças, jovens e adultos (nomeadamente idosos e reformados), em contextos profissionais ou especificamente de lazer.
Estas actividades procuram ainda a educação dos destinatários para o usufruto do lazer.
As actividades de Enriquecimento Curricular, realizadas após as horas de trabalho escolar das crianças, serão mais facilmente portadoras de conhecimentos e competências para as crianças se desenvolvidas em contextos pedagógicos com as características do lazer.
Os participantes deste Curso deverão, ainda, saber organizar projectos, formar e orientar profissionais desenvolvendo a intencionalização pedagógica.
Nesse sentido a aprendizagem passará pela competência de gerir um currículo aberto de educação não-formal tornando os espaços de lazer mais enriquecidos cultural e educativamente.
Acreditação pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior
N.º do Processo: ACEF/1415/10062
Acreditado
Número de Anos de Acreditação: 3
Data da Publicação: 15-09-2016